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Slides para palestra médica que a última fileira consegue ler


Gabriel BusquetDesign e desenvolvimento
Bons slides para palestra médica tratam de um assunto por vez, usam letra que se lê do fundo da sala, têm contraste forte entre texto e fundo e mostram em cada gráfico só o dado que sustenta a fala. Imagens de paciente entram com autorização e sem nada que permita identificar a pessoa. O restante do deck depende desses cinco pontos.
Um assunto por slide
Escreva no título do slide a conclusão, em uma frase inteira. Um título como Resultados diz pouco. Um título como A técnica B reduziu o tempo de internação no grupo estudado já entrega a mensagem, e o corpo do slide passa a servir de prova. Quem se distrai por um instante lê o título e retoma o raciocínio.
Diretrizes, tabelas extensas e a lista completa de referências funcionam melhor na apostila ou em um PDF enviado depois. No slide, deixe a citação curta no rodapé, com autor, periódico e ano.
Tamanho de letra para o fundo da sala
A letra certa depende do tamanho da tela e da distância da última fileira, por isso nenhum número em pontos serve para todas as salas. Dois testes resolvem. O primeiro se faz em casa: abra o modo de classificação de slides, aquele que mostra todas as miniaturas lado a lado, e veja se ainda consegue ler os títulos e os números principais. O que some na miniatura some no fundo do auditório.
O segundo teste é no local. No ensaio, projete o slide com mais texto e o gráfico mais carregado, caminhe até a última cadeira e leia. Se precisar apertar os olhos, aumente a fonte e corte texto.
Monte o arquivo na proporção da tela do evento. O padrão atual dos programas de apresentação e da maioria dos projetores e painéis é 16:9, com resolução Full HD de 1920 x 1080 pixels. Salas com equipamento antigo ainda usam 4:3, e painéis de LED podem ter medida fora do padrão. Confirme com a técnica antes de começar, porque trocar a proporção de um deck pronto desalinha todas as páginas.
Contraste e fundo
Use texto escuro sobre fundo claro ou texto claro sobre fundo escuro, sem meio-termo. Cinza sobre branco e amarelo sobre branco desaparecem em projetor com sala iluminada. Fundo escuro costuma funcionar melhor em painel de LED e em sala escurecida. Fundo claro aguenta melhor a sala com luz acesa.
Evite texto sobre fotografia. Quando for necessário, coloque uma faixa de cor sólida atrás do texto. Parte da plateia tem dificuldade para distinguir vermelho de verde, então diferencie curvas e categorias também por rótulo ou tipo de traço.
Gráficos que se leem em poucos segundos
O gráfico colado direto do artigo foi feito para ser lido de perto, em uma página. Na tela ele precisa ser refeito ou simplificado.
- Mostre uma comparação por gráfico. Se o artigo tem quatro painéis, escolha o que sustenta a sua frase e deixe os demais para a apostila.
- Apague grades, bordas e a caixa de legenda. Escreva o nome de cada série ao lado da própria linha ou barra.
- Destaque em cor a série de que você vai falar e deixe as outras em cinza.
- Aumente os números dos eixos até o tamanho do texto do slide e escreva a unidade.
- Mantenha a referência do estudo no rodapé e preserve a escala original dos eixos.
Imagens de paciente e anonimização
A Resolução CFM nº 2.336/2023 trata do tema em dois pontos. O art. 13, inciso IV, lista entre os direitos do médico utilizar, em trabalhos e eventos científicos destinados exclusivamente a médicos e estudantes de medicina, imagens transmitidas em tempo real com a aplicação de técnicas de abordagem, desde que obtenha prévia autorização do paciente ou de seu representante legal.
O art. 14, que regula o uso da imagem de pacientes com finalidade educativa, traz no inciso II três alíneas que interessam a quem monta um deck. A alínea e veda o uso de imagens de procedimentos que identifique o paciente. A alínea f veda qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens. A alínea i determina, para imagens do banco do próprio médico ou do serviço, obter autorização do paciente, respeitar o pudor e a privacidade e garantir o anonimato mesmo que tenha havido autorização para divulgação.
Na montagem do deck, a identificação costuma estar em detalhes fora do rosto. Revise cada imagem com esta lista.
- Cabeçalho de exame de imagem com nome, data de nascimento, número de prontuário ou nome do hospital.
- Captura de tela de prontuário eletrônico ou de laudo com etiqueta do paciente.
- Tatuagens, cicatrizes, joias e marcas de nascença visíveis no enquadramento.
- Nome do arquivo e dados embutidos na foto, que podem aparecer se o deck for compartilhado.
- Datas e local citados junto com um caso raro, que permitem a quem é da mesma cidade reconhecer a pessoa.
- Vídeos em que a voz ou o nome do paciente são ouvidos.
Prefira escolher fotos cujo enquadramento original já exclui o que identifica, em vez de depender de tarja ou desfoque aplicado depois. Como a norma veda a edição das imagens, a dúvida sobre até onde vai um recorte ou uma tarja de anonimização deve ser levada à Codame do seu CRM, consulta que o art. 13, inciso V, da mesma resolução prevê como direito do médico.
Combine também o destino dos slides. Se a organização vai gravar a palestra, publicar trechos em rede social ou distribuir o PDF, monte uma segunda versão do arquivo sem as imagens de paciente.
O arquivo que vai para a técnica
Envie o deck à equipe de audiovisual antes do evento e leve uma cópia em pen drive. Junto com o arquivo editável, exporte um PDF, que abre igual em qualquer computador e serve de reserva se a fonte não carregar. Se usou fonte que não vem instalada no sistema, leve os arquivos da fonte ou ative a opção de incorporar fontes ao salvar.
Vídeos devem ir incorporados ao arquivo e também soltos em uma pasta, em formato MP4, que é o mais aceito. Teste o áudio e o passador de slides da sala durante o ensaio.
Este texto é informativo e não substitui a leitura da resolução nem a consulta ao CRM do seu estado ou a um advogado, em especial sobre uso de imagem de paciente.







