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Apostila e material para imersão médica

Gabriel BusquetDesign e desenvolvimento

O material de uma imersão médica se resolve com quatro peças: uma apostila com o conteúdo que o aluno vai consultar depois, um caderno ou espaço para anotar, um crachá legível a distância e um brinde que ele use no consultório. A apostila merece a maior parte do orçamento e do prazo, porque é a única peça que continua sendo aberta meses depois.

Apostila e caderno têm funções diferentes

A apostila guarda a referência: protocolos, tabelas, fluxogramas, doses, checklists e a bibliografia. O caderno recebe o raciocínio do aluno durante a aula. Muitos eventos entregam os slides impressos com linhas ao lado, e o resultado atende mal às duas funções. O slide foi desenhado para ser visto de longe com alguém falando, e no papel fica ou vazio ou ilegível.

Você pode unir as duas peças em um volume só, desde que cada parte tenha seu lugar. Um modelo que funciona: páginas de conteúdo à esquerda e páginas de anotação à direita, ou um bloco de anotações ao fim de cada módulo. Para imersão com muita prática, considere uma apostila mais fina acompanhada de cartões de bolso com os protocolos principais.

O que entra na apostila

  • Abertura com a programação, o nome dos professores e a senha do wi-fi.
  • Um capítulo por módulo, na mesma ordem das aulas, com o mesmo título que aparece no telão.
  • Tabelas e fluxogramas completos, aqueles que foram resumidos nos slides.
  • Checklists e roteiros que o aluno possa destacar ou fotografar para usar no consultório.
  • Espaço para anotação junto de cada tema.
  • Referências por capítulo, com link ou DOI.
  • Página final com os contatos, o acesso ao material digital e o próximo passo, seja uma mentoria, uma turma avançada ou um grupo de discussão.

Refaça os gráficos e as tabelas para o papel. No impresso o leitor está perto da página e tem tempo, então cabem mais dados do que no slide, com fonte menor e legenda completa. Casos clínicos com imagem de paciente pedem no impresso um cuidado maior do que na tela, porque a apostila sai da sala e circula. Vale montar a versão impressa só com imagens que não identifiquem ninguém e conferir a regra com o CRM do seu estado.

Arquivo e acabamento para a gráfica

Peça a especificação à gráfica antes de diagramar. Cada uma trabalha com um gabarito, e adaptar um arquivo pronto custa mais tempo do que começar certo. Os pontos abaixo são prática corrente e servem de roteiro para essa conversa.

ItemPrática comumO que perguntar
FormatoA4 ou A5 para apostila e cadernoQuais formatos aproveitam melhor o papel e saem mais em conta
CorArquivo em CMYKQual perfil de cor usar e se o miolo será colorido ou em uma cor
Imagens300 dpi no tamanho final de impressãoSe há resolução mínima exigida para fotos e exames
SangriaSobra de alguns milímetros além do corte, em geral 3 mmA medida exata de sangria e de margem de segurança
Arquivo finalPDF com fontes incorporadas e marcas de corteSe a gráfica pede um padrão específico, como PDF/X
EncadernaçãoEspiral ou wire-o para quem vai escrever, lombada para volume de consultaO número mínimo de páginas para cada tipo e o prazo de cada um

Para material em que o aluno escreve, escolha papel sem brilho no miolo. Papel com cobertura brilhante valoriza foto e rejeita caneta. A encadernação em espiral permite dobrar o caderno sobre si mesmo, o que ajuda em sala com prancheta ou mesa pequena. Peça uma prova impressa antes de liberar a tiragem inteira, porque cor e margem só se confirmam no papel.

Crachá legível a distância

O crachá existe para que duas pessoas se chamem pelo nome sem constrangimento. O primeiro nome ocupa a maior parte da área, em letra grande e pesada. Sobrenome, especialidade e cidade vêm abaixo, menores. A marca do evento fica pequena, no topo ou no rodapé.

Imprima frente e verso iguais, porque o crachá gira no cordão. Diferencie aluno, professor e equipe por uma faixa de cor. O verso, se não repetir o nome, pode trazer a programação resumida e o wi-fi. Como os nomes vêm da planilha de inscrição, feche a lista com antecedência e combine com a gráfica como imprimir os inscritos de última hora, por exemplo com etiquetas em branco no local.

Brinde que vai para o consultório

O critério de escolha é simples: o aluno usaria esse objeto no trabalho se não tivesse marca nenhuma. Caneta que escreve bem, bloco de receituário de rascunho, cartão plastificado com um protocolo, régua ou tabela de bolso da especialidade passam nesse teste.

Um item bom vale mais do que uma sacola com vários medianos. Aplique a marca pequena, em uma cor só, e envie à empresa de brindes o arquivo em vetor. Brinde personalizado tem prazo de produção e frete próprios e, em geral, é a peça que mais demora. Encomende antes dos impressos.

Como o material prolonga o evento

Depois de alguns dias, o que o aluno consulta é o material. Algumas escolhas aumentam esse uso.

  • Coloque um QR code na contracapa que leve a uma página com a versão em PDF da apostila, as referências com link e as atualizações que surgirem depois.
  • Inclua uma página de plano de ação, com espaço para o aluno escrever o que vai mudar na rotina na semana seguinte.
  • Desenhe os checklists em formato que caiba na parede do consultório ou na capa do prontuário.
  • Use a mesma identidade no certificado, no e-mail de agradecimento e no grupo de ex-alunos, para que tudo seja reconhecido como parte do mesmo evento.
  • Guarde os arquivos abertos. Na próxima turma você atualiza o conteúdo sem refazer a diagramação.

A página do QR code precisa existir antes de a apostila ir para a gráfica, e o endereço não pode mudar depois. Publique em um endereço do seu próprio domínio. Assim, a apostila da primeira turma continua levando a um link que funciona quando a terceira turma estiver em sala.

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