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Site para médico: o que precisa ter e o que pode sair

Gabriel BusquetDesign e desenvolvimento

Um site para médico precisa responder, na primeira tela, quem atende, qual é a especialidade, onde fica o consultório e como marcar consulta. O restante da página confirma essas quatro respostas com foto real, formação, endereço completo e os dados de registro que o CFM exige. O que não ajuda o paciente a decidir ou a chegar até você pode sair.

Especialidade e cidade no título

O título principal da página deve dizer o que você faz e onde, com as palavras que o paciente usa. "Cardiologista em Niterói" informa mais que um slogan sobre cuidado e acolhimento, porque repete o que a pessoa digitou na busca e quer confirmar ao abrir o site.

Repita a mesma informação no título da aba do navegador e na descrição que aparece no resultado do Google.

A norma põe um limite aqui. A Resolução CFM nº 2.336/2023 veda ao médico divulgar, quando não especialista, que trata de sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas (art. 11, I). O título do site só pode anunciar como especialidade aquela que está registrada no seu CRM.

Foto real e formação

Use uma foto sua, recente, feita no consultório. Quem está escolhendo um médico quer ver o rosto de quem vai atender, e uma imagem de banco com modelo de jaleco não mostra isso. A resolução permite usar a própria imagem, a da equipe e fotografias ou vídeos do ambiente de trabalho (art. 9º, I).

Na formação, liste graduação, residência e título de especialista, com instituição e ano. O art. 13, §1º, define como cada qualificação é divulgada. A especialidade registrada no CRM vem acompanhada do número de RQE, e o mesmo vale para a área de atuação. O médico com título pode divulgar até duas especialidades e as áreas de atuação relacionadas a elas.

Quem tem pós-graduação lato sensu cadastrada no CRM e não tem RQE na área precisa escrever "médico com pós-graduação em" seguido da área e da expressão "não especialista", que a norma manda grafar em letras maiúsculas (art. 13, §1º, d). Confira esse trecho do seu texto antes de publicar.

O currículo inteiro pode ficar fora. Quatro ou cinco linhas bastam na página, com um link para o Lattes para quem quiser o detalhe.

Como agendar

Coloque o botão de agendamento no topo e repita ao fim de cada seção. Escreva no próprio botão o que acontece ao clicar, por exemplo "Agendar pelo WhatsApp" ou "Ver horários disponíveis". Um botão que diz só "Saiba mais" obriga o paciente a adivinhar.

Informe dias e horários de atendimento e quem responde do outro lado, se é a secretária em horário comercial ou uma agenda online que confirma na hora. A resolução permite divulgar a forma de marcação de consulta, os horários e a dinâmica de funcionamento do consultório (art. 9º, IV).

Diga se o atendimento é particular ou quais convênios você aceita. Publicar o valor da consulta é decisão sua, e a norma permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento (art. 9º, VI). Com essa informação na página, a secretária tende a receber menos mensagens perguntando só o preço.

Endereço e informações práticas

Escreva o endereço completo, com número, sala, andar, bairro, cidade e CEP, e incorpore o mapa. Acrescente o que o paciente pergunta por telefone: se há estacionamento, se o prédio tem elevador e acesso para cadeira de rodas, qual é o ponto de referência. O art. 9º, V, permite orientar sobre estacionamento, segurança, privacidade, conforto e localização.

Confira se o endereço do site está grafado igual ao do seu Perfil da Empresa no Google. Se você atende por telemedicina ou em mais de um local, dê a cada local o seu bloco, com dias e contato próprios.

Dados que o CFM obriga a informar

O art. 4º da Resolução CFM nº 2.336/2023 lista o que toda peça de publicidade ou propaganda médica deve conter, e o site entra nessa definição.

  • Nome e CRM: nome e número de registro no CRM de cada estado onde você exerce a medicina, acompanhados da palavra "médico" (art. 4º, I).
  • Especialidade e RQE: especialidade ou área de atuação, quando registrada no CRM, seguida do número de RQE (art. 4º, II).

O art. 6º determina onde isso aparece. Em redes sociais, blogs, sites e congêneres, esses dados devem estar na página principal do perfil ou equivalente. Na prática, ponha nome, CRM e RQE junto ao seu nome na primeira tela da página inicial e repita no rodapé de todas as páginas.

Se o site é de uma clínica, vale o art. 5º, que pede em local visível o nome do estabelecimento com o número de registro no CRM e o nome do diretor técnico médico com o respectivo CRM e, onde for exigível, a especialidade com o RQE.

Nome, CRM e RQE na primeira tela da página inicial atendem ao art. 6º e respondem à primeira dúvida de quem nunca ouviu falar de você.

O que pode sair

  • Promessa de resultado. O art. 11, XII, veda garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento.
  • Depoimento com elogio exagerado. O art. 14, II, g, exige que depoimentos sobre a atuação do médico sejam sóbrios, sem adjetivos que denotem superioridade ou induzam a promessa de resultado.
  • Selo de "melhor médico" ou prêmio promocional. O art. 11, XIII, veda permitir a inclusão do seu nome em premiações desse tipo.
  • Carrossel de fotos de banco de imagens no topo da página, que empurra para baixo a especialidade e o botão de agendar.
  • Texto de missão, visão e valores, que ocupa espaço e não responde a nenhuma pergunta do paciente.
  • Blog parado e ícones de redes sociais que você não atualiza.
  • Janela que salta sobre a tela antes de a pessoa ler qualquer coisa.

Antes de publicar, abra o site no celular e veja se especialidade, cidade, CRM e o botão de agendar aparecem sem rolar a tela. Se algum deles ficou para baixo, tire o que está na frente.

Este texto é informativo e resume pontos da Resolução CFM nº 2.336/2023 lidos no texto oficial. Ele não substitui a consulta à Codame do CRM do seu estado ou a um advogado antes de publicar o seu site.

Fontes

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