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Identidade visual de evento médico, do nome ao palco

Gabriel BusquetDesign e desenvolvimento

A identidade visual de um evento médico começa pelo nome e por uma frase que diga o que o participante leva da sala. Depois vêm a marca, a paleta e a tipografia, nessa ordem. Cada decisão precisa ser testada nos três lugares onde o evento aparece: o palco, o material impresso e a divulgação.

Nome e promessa antes do desenho

O designer precisa de duas coisas escritas antes de abrir o programa: o nome do evento e a frase de apoio. O nome deve caber em uma linha de crachá e ser fácil de falar em voz alta, porque ele será dito no microfone e repetido em áudio de WhatsApp.

A frase de apoio diz para quem é e o que se aprende. Imagine uma imersão hipotética chamada Imersão Ombro, com a frase de apoio ultrassom e infiltração guiada para ortopedistas. Com essas duas linhas o designer já sabe o tom, e o médico que vê o anúncio entende de imediato se o evento é para ele.

A marca do evento e a sua marca pessoal

Há dois caminhos. No primeiro, o evento usa a sua marca pessoal ou a da clínica com um complemento, e herda cor e tipografia. Funciona bem para palestra avulsa. No segundo, o evento ganha marca própria, com o seu nome como assinatura logo abaixo. Esse caminho compensa quando o evento vai se repetir, ter outros professores ou ser vendido como produto separado da consulta.

Em qualquer dos casos, peça a marca em pelo menos três versões: horizontal, empilhada e reduzida (só o símbolo ou as iniciais). A horizontal vai no rodapé do slide e no topo da página de inscrição. A empilhada vai no backdrop e na capa da apostila. A reduzida vai no avatar do perfil, no cordão do crachá e no bordado.

Teste a versão reduzida em tamanho de ícone de celular e em uma só cor. Se ela perde a leitura assim, vai perder também na caneta e na gravação a laser do brinde.

Paleta pensada para tela e para papel

Uma paleta de evento funciona com poucas cores e papéis definidos: uma cor principal, uma cor de destaque para botões e chamadas, um tom escuro para texto e um tom claro para fundo. Mais do que isso dificulta manter o conjunto coerente quando vários fornecedores produzem peças ao mesmo tempo.

A mesma cor se comporta de modos distintos em cada suporte. Telas e projetores trabalham em RGB e gráficas trabalham em CMYK, e alguns tons muito vivos de tela, como verdes e azuis luminosos, saem mais apagados na impressão. Peça ao designer os códigos de cada cor nos dois sistemas e, se houver brinde ou tecido com cor especial, a referência Pantone correspondente.

O palco muda a cor outra vez. Projetor em sala clara lava os tons escuros, e painel de LED deixa o branco puro forte demais para quem está nas primeiras filas. Por isso vale definir desde o início uma versão de fundo escuro e uma de fundo claro, e escolher qual vai para a tela depois de conversar com o fornecedor de audiovisual.

Tipografia que funciona de longe

Duas famílias de fonte resolvem um evento inteiro: uma para títulos e uma para texto. A de texto precisa ter vários pesos (regular, médio, negrito) e numerais claros, porque vai aparecer em tabela de dose, eixo de gráfico e horário de programação. Fontes muito finas ou muito condensadas perdem a leitura na última fileira.

Confira a licença. Fontes com licença aberta, como as do Google Fonts, podem ser instaladas no notebook da palestra, no computador da técnica e no site sem custo adicional. Fonte paga exige licença conforme o uso. Fonte que não está instalada na máquina do evento é substituída por outra na hora, o que desalinha os slides.

Antes de aprovar a identidade, veja a marca, a paleta e a tipografia aplicadas em um slide, em um crachá e em um post. Se as três peças parecem do mesmo evento, a identidade está pronta.

Desdobramento em palco, material e divulgação

A identidade aprovada vira um conjunto de peças com exigências técnicas próprias. A tabela reúne as mais comuns e o que perguntar a cada fornecedor antes de produzir. As medidas citadas são as de uso corrente e devem ser confirmadas com quem vai operar a tela ou imprimir.

Onde aparecePeçasO que confirmar com o fornecedor
Palco e salaModelo de slides, tela de espera, vinheta, backdrop, púlpito, sinalizaçãoProporção e resolução da tela (o mais comum é 16:9 em 1920 x 1080 pixels, mas painel de LED pode ter medida própria), formato de vídeo aceito, medida final e gabarito do backdrop
Material do alunoApostila, caderno, crachá, certificado, pasta, brindeFormato final, sangria e margem de segurança, perfil de cor, tipo de papel, área útil de gravação do brinde
DivulgaçãoPágina de inscrição, posts e stories, capa de vídeo, e-mail, anúncioFormatos de cada rede no momento da publicação, peso das imagens da página, versão da marca para fundo claro e escuro

Evite adaptar a arte de divulgação direto para o palco. Um post é lido de perto, e um backdrop é fotografado atrás de uma pessoa, a alguns metros. No backdrop, a marca fica acima da altura da cabeça de quem fala e repetida o suficiente para aparecer em qualquer enquadramento.

O pacote de arquivos que você deve receber

Ao final, peça uma pasta organizada que qualquer fornecedor consiga usar sem telefonar para o designer, com estes itens.

  • Marca em vetor (SVG e PDF), nas versões horizontal, empilhada e reduzida, em cor, em preto e em branco.
  • Marca em PNG com fundo transparente, em tamanho grande, para quem não abre arquivo vetorial.
  • Códigos das cores em HEX e RGB para tela e em CMYK para impressão.
  • Arquivos das fontes ou o link de download, com a indicação da licença.
  • Modelo de slides no programa que você usa (PowerPoint, Keynote ou Google Slides), já na proporção da tela do evento.
  • Guia de uma página com os usos corretos da marca, as margens mínimas e os fundos permitidos.

Guarde essa pasta em um link que você possa enviar por mensagem. Gráfica, cerimonial, fotógrafo e patrocinador vão pedir a marca em momentos diferentes, e cada um deve receber o mesmo arquivo.

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