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Formulário de contato para clínica: quantos campos pedir e o que avisar ao paciente


Gabriel BusquetDesign e desenvolvimento
Um formulário de contato para clínica funciona com três campos: nome, telefone com WhatsApp e o melhor horário para retorno. O que o paciente tem, sente ou já tratou fica para a consulta, porque essa informação é dado de saúde, classificado pela LGPD como dado pessoal sensível (art. 5º, II). Junto ao botão vai um aviso curto dizendo para que os dados servem, e depois do envio a página informa quem responde, por qual canal e em quanto tempo.
Campos que vale pedir
A LGPD limita o tratamento ao mínimo necessário para a finalidade, com dados pertinentes, proporcionais e não excessivos (art. 6º, III). A finalidade de um formulário de landing page é permitir que a recepção retorne e marque a consulta. Cada campo precisa servir a isso.
| Campo | Pedir no formulário | Motivo |
|---|---|---|
| Nome | Sim | A recepção precisa saber com quem fala. |
| Telefone com WhatsApp | Sim | É o canal do retorno. |
| Melhor horário para contato | Opcional | Evita ligação em hora ruim. Use opções fechadas, como manhã, tarde e noite. |
| Convênio ou particular | Opcional | Ajuda a recepção a responder certo no primeiro contato. Use lista fechada. |
| CPF, data de nascimento, endereço | Não | São dados de cadastro, que a recepção colhe quando a consulta é marcada. |
| Motivo da consulta em texto livre | Não | O paciente descreve sintomas e diagnósticos, e o formulário passa a guardar dado sensível. |
O campo de motivo da consulta
O art. 11 da LGPD só admite o tratamento de dado sensível em hipóteses mais estreitas que as do dado comum. A primeira é o consentimento do titular, de forma específica e destacada, para finalidades específicas (inciso I). As demais dispensam consentimento em situações listadas no inciso II, entre elas a tutela da saúde, exclusivamente em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária (alínea f).
Se o formulário de uma página de divulgação cabe nessa alínea é pergunta para o advogado ou o encarregado de dados da clínica. O caminho mais simples é não colher o relato ali. Troque a caixa de texto por uma frase como “Você conta o seu caso direto ao médico, na consulta”.
Existe um efeito indireto. O § 1º do art. 11 estende a regra a qualquer tratamento que revele dado sensível e possa causar dano ao titular. Em uma página sobre um único tratamento, o registro de que a pessoa pediu contato já sugere algo sobre a saúde dela. Restrinja o acesso a essa lista à recepção e não a mantenha em planilha compartilhada por link aberto.
Aviso de privacidade junto ao botão
O art. 9º dá ao titular o direito de receber informações sobre o tratamento de forma clara, adequada e ostensiva. Entre elas estão a finalidade específica, a forma e a duração, a identificação e o contato do controlador, o uso compartilhado e os direitos do art. 18. No formulário, isso se resolve com duas peças: uma frase visível antes do botão e um link para a política de privacidade completa.
Modelo para adaptar: “A [nome da clínica] usa seu nome e telefone apenas para responder a este pedido e marcar a sua consulta. Os dados ficam com a nossa recepção, e você pode pedir a exclusão pelo [canal]. Leia a política de privacidade.”
Escreva o nome da clínica ou do médico por extenso, porque o paciente precisa saber quem é o controlador dos dados (art. 5º, VI). O conteúdo da política completa está em LGPD no site do consultório.
Consentimento e caixas de seleção
Responder a um pedido de contato que a própria pessoa enviou é uma finalidade. Mandar novidades, campanhas e lembretes é outra. A LGPD define consentimento como manifestação livre, informada e inequívoca para uma finalidade determinada (art. 5º, XII) e declara nulas as autorizações genéricas (art. 8º, § 4º).
- Use uma caixa separada para cada finalidade extra, com texto que diga o que a pessoa vai receber e por qual canal.
- Deixe a caixa desmarcada, para que a marcação seja um ato do paciente.
- Permita enviar o formulário sem marcar a caixa de comunicações.
- Guarde a data, a hora e o texto exibido. Cabe ao controlador provar que obteve o consentimento conforme a lei (art. 8º, § 2º).
- Ofereça um jeito simples de sair da lista. O consentimento pode ser revogado a qualquer momento, por procedimento gratuito e facilitado (art. 8º, § 5º).
Depois do envio
Um “mensagem enviada” não diz ao paciente se alguém vai ligar hoje ou na semana que vem, e ele continua procurando em outro lugar.
- 1Mostre na própria página uma confirmação com o nome da pessoa, o canal do retorno e o prazo. Exemplo hipotético: “Recebemos seu pedido, Ana. Nossa recepção chama você no WhatsApp ainda hoje, até as 18h”.
- 2Prometa um prazo que a recepção cumpre em dia de agenda cheia. Para pedidos fora do expediente, diga quando o atendimento volta.
- 3Faça o aviso chegar à recepção em um canal que ela olha o dia todo, com um responsável definido.
- 4Registre o contato e o desfecho. Se a pessoa não marcou e os dados perderam o uso, apague. O titular tem direito de pedir a eliminação de dados desnecessários ou excessivos (art. 18, IV).
O art. 46 exige medidas de segurança, técnicas e administrativas, contra acessos não autorizados. Saiba em qual caixa de e-mail ou sistema os envios caem e quem tem a senha. O roteiro da recepção para esse retorno está em primeiro contato da secretária.
Teste antes de publicar
Preencha o formulário no seu celular, usando a rede móvel, como se fosse um paciente, e confira cada item.
- O teclado numérico abre no campo de telefone.
- O botão diz o que acontece, como “Pedir contato da recepção”, em vez de “Enviar”.
- O aviso de privacidade aparece na mesma tela do botão.
- A confirmação aparece para o paciente e o aviso chega à recepção na hora.
- Os dados digitados não aparecem no endereço da página de confirmação.
Este texto é informativo e resume dispositivos da Lei nº 13.709/2018 conforme o texto publicado pelo Planalto, consultado em outubro de 2026. Ele não substitui a orientação de um advogado nem a consulta ao CRM do seu estado.







